quarta-feira, 21 de novembro de 2007

fanatismo



Minh’alma, de sonhar-Te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de Te ver !
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que Tu és já toda a minha vida !


Não vejo nada assim enlouquecida ...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do Teu ser
A mesma história tantas vezes lida !


"Tudo no mundo é frágil, tudo passa ..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim !


E, olhos postos em Ti, digo de rastros :
"Ah ! Podem voar mundos, morrer astros,
Que Tu és como Deus : Princípio e Fim ! ..."


Florbela Espanca

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