segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Oração Celta para 2009


Para nina, especialmente...


Que jamais, em tempo algum, o teu coração acalante ódio.
Que o canto da maturidade jamais asfixie a tua criança interior.
Que o teu sorriso seja sempre verdadeiro.
Que as perdas do teu caminho sejam sempre encaradas como lições de vida.
Que a música seja tua companheira de momentos secretos contigo mesmo.
Que os teus momentos de amor contenham a magia de tua alma eterna em cada beijo.
Que os teus olhos sejam dois sóis olhando a luz da vida em cada amanhecer.
Que cada dia seja um novo recomeço, onde tua alma dance na luz.
Que em cada passo teu fiquem marcas luminosas de tua passagem em cada coração.
Que em cada amigo o teu coração faça festa, que celebre o canto da amizade profunda que liga as almas afins.
Que em teus momentos de solidão e cansaço, esteja sempre presente em teu coração a lembrança de que tudo passa e se transforma, quando a alma é grande e generosa.
Que o teu coração voe contente nas asas da espiritualidade consciente, para que tu percebas a ternura invisível, tocando o centro do teu ser eterno.
Que um suave acalanto te acompanhe, na terra ou no espaço, e por onde quer que o imanente invisível leve o teu viver.
Que o teu coração sinta a presença secreta do inefável!
Que os teus pensamentos e os teus amores, o teu viver e atua passagem pela vida, sejam sempre abençoados por aquele amor que ama sem nome.
Aquele amor que não se explica, só se sente.
Que esse amor seja o teu acalanto secreto, viajando eternamente no centro do teu ser.
Que este amor transforme os teus dramas em luz, a tua tristeza em celebração, e os teus passos cansados em alegres passos de dança renovadora.
Que jamais, em tempo algum, tu esqueças da Presença que está em ti e em todos os seres.
Que o teu viver seja pleno de Paz e Luz!

Autor Desconhecido

domingo, 28 de dezembro de 2008

Amor em paz



Eu amei, e amei ai de mim muito mais do que devia amar 

E chorei ao sentir que iria sofrer, e me desesperar 

Foi então, que da minha infinita tristeza aconteceu Você 

Encontrei em Você a razão de viver e de amar em paz 

E não sofrer mais, nunca mais 

Porque o amor, é a coisa mais triste, quando se desfaz


Tom e Vinícius

Te espero


Te espero, como sempre fiz...
Lasciva, molhada...

Tenho sonhado com as cordas, as velas e as agulhas, os chicotes... meu corpo pede por eles todos... já se acostumou aos prolongamentos do Teu corpo... agora sente falta do Todo.

Meu corpo pede pelas Tuas mãos, os carinhos e maltratos... Os afagos e beliscões, quando me alisas e quando me castigas com um sadismo que é tão Teu.

Ele pede pela Tua boca... pelas raras vezes em que pronuncias que sou Tua cadelinha, a me morder e a me beijar... a maltratar meus mamilos e me levar à loucura.

Mais que isso, Te espero porque vejo em Ti meu porto seguro, lugar que escolhi para baixar as âncoras e nunca mais partir. 

Porque sei que vais me manter protegida e tranquila durante as tempestades que tanto gostas de enfrentar. 

Porque vais manter a promessa que me fizeste há mais de 3 meses, assim como manterei a minha. 

Porque achamos por bem que S/somos um só. Porque sempre me disseste: "és parte de MIM como EU sou de ti"... S/somos um só...

Te espero para que possamos continuar a construir o que já começamos, não hoje, nem ontem, mas há séculos, em outras vidas, e que agora finalmente poderemos retomar.

Te espero, enfim, porque nunca fui tão abençoada e protegida, nunca fui tão amada e ao mesmo tempo nunca amei assim... porque foi o que escolhi para minha vida, porque abri mão de minha liberdade, para finalmente me libertar...

eu Te espero

{rianah}·····Lestat






terça-feira, 2 de setembro de 2008

Material Humano

texto especialmente escrito para

http://www.sociedadekinkysade.com/

01/09/2008

Material Humano

Entendo que quem ingressa neste site já tenha ao menos uma base do conhecimento sobre BDSM, o mínimo que seja, assim, o que é o BDSM, suas subdivisões, seus modos e tudo mais, serão focados em tópicos próprios e não nesta exordial. Parece um longo texto, mas vai ver que ele é muito mais curto do que merecia ser.

Tentaremos focar exatamente no DOM, ou melhor, a pessoa DOMINANTE em um relacionamento, indiferente a qualquer forma praticada por esta. Longe de Mim a ambição de encerrar o assunto. Ainda mais propriamente em relacionamentos D/s, que talvez seja onde possa doar uma singela contribuição.

Tratei de encabeçar este texto com o título de Material Humano, por isso ser à base de tudo, a pessoa, o ser humano.

Há no mundo animal também a presença do Ser Dominante, de uma matilha de lobos, entre os leões e em muitas outras oportunidades podemos ver esta mesma ocorrência na natureza.

Este acontecimento dá-se geralmente por antiguidade, pela posição social ou ainda pela força, sendo esta última mais comum.

Já para nós Humanos, seres racionais – ou às vezes nem tanto – não há muita diferença. Temos a aspiração intrínseca de dominar, faz parte da natureza de uma grande maioria este desejo inerente ao ser. Tudo isso é demonstrado claramente na história do mundo, de uma forma ou de outra e pelos mais diversos motivos.

Assim, definido estes princípios, vemos desde os primórdios os exemplos de Átila, de Césares em Roma, de Napoleão e tantos outros que formaram nossa história, mas estamos falando de BDSM, de D/s.

Anteriormente havia uma declarada sociedade machista, onde o homem era o líder nato para qualquer relacionamento, não importando se eram negócios, governo ou um relacionamento interpessoal. Mais evidente isto em países do oriente, que ainda hoje mantêm em sua cultura estes traços.

Para seguir mais adiante, um pequeno conceito histórico, que entendo ser o divisor de águas para o atualmente chamado de BDSM Moderno. (Nota: não estamos falando de machismo ou feminismo exacerbado).

Um dos escritores mais conhecidos pelo meio é certamente Sade e muito bem escrito por Diz[1] em seu blog, aproveito para aqui trazer um material relevante, importando seus dizeres, mas temos outros pensadores também que retratam muito bem este momento.

Dependendo do leitor, os escritos de Sade podem parecer indigestos ou estimular fantasias sexuais, mas, de qualquer forma, eles constituem uma peça chave do quebra-cabeça moderno. Usando uma expressão famosa de Georg Lukacs, Sade é talvez a "máxima consciência possível" da modernidade incipiente.


Quando o mundo começa a sonhar com uma sociedade de iguais e a querer realizá-la, Sade produz uma obra monumental, em que revela que a vontade e o exercício do poder são ou se tornaram escabrosamente eróticos. Como ele mesmo disse, não basta sacudir os alicerces do antigo regime: para sermos revolucionários, vamos precisar de mais um esforço.


O poder parou de ser o atributo exclusivo de algumas castas, mas ainda não é a hora de festejar a invenção da liberdade: a paixão de dominar se alastra por nossa vida de duas maneiras.


A primeira foi o objeto da reflexão de Michel Foucault: na modernidade, as expressões clássicas do poder, autoritárias e diretas, são substituídas por formas capilares de controle. Por exemplo, ao longo do século XIX, a medicina se encarregou de regulamentar e reprimir práticas sexuais que a lei não proibia mais.


A segunda é a descoberta de Sade: o poder assombra a fantasia erótica moderna. Eis como a coisa funciona, esquematicamente. Um sujeito se define pela rede de relações que lhe atribui um lugar no mundo. Na modernidade, as relações que mais importam não são as hierarquias sociais estabelecidas: o sujeito se relaciona, antes de mais nada, por amor e por paixão, ou seja, por livre escolha. A conseqüência disso não é um mundo em que o amor e a paixão substituiriam a vontade de dominar. Ao contrário: o amor se torna um teatro do poder e a paixão encontra no domínio ou na submissão um extraordinário recurso para a excitação sexual. Reciprocamente, o exercício do poder é contaminado por modalidades de prazer e de gozo aprendidas na cama, ou seja, por um erotismo violento, sombrio e, em geral, envergonhado.

Vou mais além. Sade é apenas um lado do prisma pelo qual observamos hoje o que se tornou o moderno BDSM. Existem muitas outras formas de relacionamento Dominante/submisso.

Assim nasce um Dominador. E assim, como na natureza ou na vida de cada um, este posto tem seus prazeres, e são muitos, mas também vem encargos e responsabilidades, das quais explanaremos mais adiante.

Acredito sim, haver uma troca de aprendizado e experiências em uma relação D/s, de parte a parte, cada qual, em seu pólo aprendendo e ensinando, crescendo e evoluindo, e este é o grande motor para tudo isso funcionar, a isso costumo dar o nome de CUMPLICIDADE.

E Cumplicidade é uma sintonia, uma química entre as pessoas, são ações compartilhadas pelas partes e que ficam só entre elas. Um apoio de um ao outro em todos os sentidos.

Somos muitos, milhares, quem sabe milhões e cada qual na sua forma, do seu jeito, mas nota-se uma realidade de uma consciência coletiva como afirmava Jung. Alguns despertos e outros que ainda não decifraram este magnífico sentimento, mas juntos, caminhando para um mesmo ponto.

Contudo, falávamos de responsabilidades, sim responsabilidades, assim, como àqueles que detêm o poder de governar – e realmente isso faz parte do dominar - como os que possuem um artefato nuclear, guardada as devidas proporções. Poder e responsabilidade caminham lado a lado.

Dentre estes, poderia citar os mais comuns. Muito bem descritas por Polly Peachum e traduzidas por Dragomir Boutli.

AUTO CONTROLE

Se você não pode se controlar - seus vícios, suas emoções, sua tendência a explodir - você não pode ter uma pessoa dirigidas por você. Elas são antes, disso derivadas dos problemas dela com a submissão. Aprender a não responder narcisisticamente - ou seja, com raiva, com afronta pessoal, ferido ou na defensiva - quando ela se comporta de maneira resistente ou manipulativa, é parte do autocontrole. Ao invés de hiper reagir, um Dominador auto controlado vai racionalmente e com o tempo encontrar as estratégias que vão funcionar baseados no seu conhecimento íntimo sobre a sua submissa que virão a desencorajar o comportamento e as atitudes que ele desgosta. .... Conforme mencionado acima, todas as submissas, mesmo as melhores, resistem ao controle por vezes. Lidar com essa resistência de maneira que encoraje o bom comportamento na submissa e ajude a treiná-la a ser uma melhor submissa e uma pessoa mais feliz, significa entender desde o início que as ações de sua submissa, ainda que você possa desgostar delas,

PERSISTÊNCIA E CAPACIDADE DE RECUPERAÇÃO EMOCIONAL

Pessoas que apenas imaginam que são Dominadoras e que subitamente se vêem na posição de ter de controlar um ser humano real face a face, frequentemente fazem uma pergunta muito reveladora: Ao ter de encarar as dificuldades iniciais de treinamento de uma submissa e superar a violência de sua confusão ou resistência, uma situação que requer tanto autocontrole e maturidade de sua parte, eles frequentemente ficam se perguntando o que o Dominador afinal vai levar desse relacionamento além de trabalho duro e desgosto. Um Dominador verdadeiro nunca fica se perguntando isso seriamente. Ele sabe o que quer levar num relacionamento de intercâmbio de poder, e ele cria as condições apesar das dificuldades para que ele o obtenha. Um Dominador precisa realmente ser Dominador, precisa realmente ter uma vontade suficientemente forte de ter suas necessidades satisfeitas, de insistir que ele vai obter o que quiser do relacionamento. Ao lado disso, para alguém que é genuinamente Dominador, superar a resistência da submissa de maneira que venha a melhorar o relacionamento para ambos, é algo que, apesar do desgosto que ele tem pela verdadeira resistência, ele saboreia, já que a longo prazo isso vai aumentar o seu controle.

RESPONSABILIDADE

Possuir alguém por toda a vida é um esforço muito sério. Quando você controla outra pessoa e pode fazer com ela qualquer coisa que você queira, você tem uma grande responsabilidade em relação a ela. Algumas pessoas frivolamente igualam a responsabilidade do Dominador àquela de possuir um animal de estimação, mas na realidade a tarefa é muito maior do que essa. Em termos de seriedade com a qual o Dominador precisa assumir sua responsabilidade, é mais sério inclusive do que ter um filho. Você controla essa pessoa absolutamente e assumindo que você ama a sua escreva você tem que se certificar de que as coisas que você faz - ou não faz - não são na realidade perigosas nem danosas por sua responsabilidade. Você tem que pensar primeiro, e muito cuidadosamente, antes de falar quando estiver com raiva. Você tem de considerar como cada ação que você empreende ou cada decisão que você toma afeta sua submissa assim como à você mesmo. Você tem que prever como a sua submissa vai reagir a certas coisas antes que você se comprometa com elas. Você esta dirigindo o navio. Você é o único responsável. Se você realmente entende isso, você também sabe que quando as coisas dão erradas ou não funcionam, não é erro da pessoa que esta indefesa diante de você e que tem que seguir suas ordens. É sua responsabilidade e somente sua.

MATURIDADE

Um Dominador tem que ser crescido, suficientemente crescido pra assumir a responsabilidade quando as coisas dão errado. Uma criança no corpo de um adulto, por outro lado, põe a culpa sobre cada coisa ruim ou cada contratempo que lhe acontece nos outros. Nada jamais é de sua responsabilidade. Sempre é a outra pessoa que estragou tudo. Uma pessoa madura também tem a paciência e disposição de esperar um longo tempo, se necessário, para que as coisas dêem certo. Certas coisas, em um intercâmbio de poder, requerem um longo tempo para serem alcançadas e um Dominador especialmente tem de ter a determinação e a força para esperar por essas coisas sem desistir ou desanimar. Uma pessoa madura esta apta a manter-se centrada. Ele não vê cada pequeno ataque ou dificuldade emocional de sua submissa como sinal de que o relacionamento não esta dando certo ou como algum sintoma do fato de que sua submissa não o ama. Um Dominador maduro também sabe como andar por sob a linha tênue entre não deixar as dificuldades emocionais da parceira submissa dominá-lo por um lado, e por outro lado, não se tornar emocionalmente distante da submissa. Uma pessoa madura tende a ter uma personalidade calma e plácida e que não se torna instável por força de cada pequeno incidente que a vida joga sobre ela. Um Dominador maduro é alguém cuja submissa pode ver como admirável, em quem ela pode se recostar, é alguém que pode ser visto como pilar de força e suporte, toda hora, não somente quando ele acha prazeroso ou fácil desempenhar esse papel. Um Dominador maduro tem um bom conhecimento da natureza humana por ter encontrado suas várias formas e sabe em geral o que dá certo e o que não dá quando se lida com uma submissa. Ele não tem que aprender tudo isso experimentando em você.

CONFIABILIDADE

Essa talvez seja a qualidade mais importante que um Dominador tem que ter. Uma pessoa que é totalmente dependente de outra e que existe tão somente para agradar essa pessoa, tem que saber que seu Dominador é confiável e coerente - e especialmente que ele é capaz de manter sua palavra. Um Dominador não é confiável só porque ele diz que é, ele é confiável quando ele prova pra você com ações consistentes por um longo período de tempo que ele faz o que ele diz que vai fazer. E quando ele diz, ele faz. E que ele te conta a verdade e não te engana. Que você pode ir até ele com seus problemas, sejam esses problemas quais forem e contar, que você vai encontrar nele compaixão e amor e que ele não vai te rejeitar justamente porque esses problemas fazem-no se sentir inseguro, confuso ou perturbado.

EXPERIÊNCIA E CONHECIMENTO

Ajuda imensamente se um Dominador sabe o que esta fazendo. Sabe quais as atividades são seguras e quais colocam a submissa em perigo física ou psicologicamente. Entende como conhecer sua submissa - mergulha profundamente em sua personalidade de tal forma que ele possa melhor controlá-la, sabe como mantê-la servindo à ele feliz e entusiasticamente e sabe realmente como controlar alguém. A maior parte das pessoas que querem ser Dominadores não tem a menor idéia de como fazer nada disso. Eles podem ter um pouco de sucesso ao fazer cenas fantasiosas no computador, e pensam que essa brincadeira infantilóide que qualquer um - mesmo uma submissa como eu - poderia aprender a fazer convincentemente com a prática de um par de dias, os faz experientes e universalmente dominantes. Ou eles podem aprender dos terríveis livros de aconselhamentos de etiqueta sadomasoquista no mercado que existem “métodos de treinamento” ou fórmulas que dão certo com todas as submissas. (Nada está mais distante da verdade). Ou eles podem ter ido a um par de play parties, visto as performances, levadas a cabo por indivíduos que são somente apenas um pouquinho menos ignorantes que eles mesmos (ainda que essas pessoas geralmente vão fazer de tudo ao seu alcance para convencer você de que eles são experts em sadomasoquismo) e concluíram que realmente controlar alguém está intimamente ligado a essas cenas artificiais e encenadas feitas em grande parte para impressionar o público sobre o quão competentes ou inteligentes eles são. Aprender a controlar alguém, como superar suas resistências (toda submissa que experimenta dominação real e permanente, resiste) como lidar com cada nova situação que aparece exige uma grande dose de conhecimento e experiência e constitui-se em uma arte também. É algo complexo já que cada situação individual requer uma resposta diferente, não pré-pronta ou estereotipada. A maior parte das pessoas na cena, a maior parte daqueles que se auto intitulam dominadores e que se promovem como sábios gurus sadomasoquistas, não sabem nada sobre nada disso. Eles estão se atrapalhando no escuro. Um Dominador ou aprende esse tipo de coisa através de muitos, muitos anos na escola da dureza, ou porque aprendeu de um outro Dominador que já possui esse conhecimento.

DESEJO

É uma tristeza que muitas pessoas que se auto intitulam Dominadores hoje em dia não tem absolutamente a mínima idéia do que fazer com uma submissa uma vez que eles estejam sozinhos com ela no mesmo cômodo. Enquanto eles puderem bravatear e se jactar e fingir virtualmente ou à distância, ou por um curto período de tempo, eles vão bem. Mas uma vez que eles realmente passam a ter uma pessoa real com a qual lidar 24 horas do dia, rapidamente eles perdem todas as idéias. A maior parte dessas pessoas não tem nenhuma das qualidades essenciais descritas acima, e elas realmente não querem nenhuma das dificuldades ou das pressões que controlar alguém sempre envolve. Eles querem ser Dominadores inteiramente para inflar seus egos ou porque eles acreditam que é uma maneira fácil de conseguir com que garotas façam o que eles querem, ou porque soa muito mais prazeroso e fácil do que um relacionamento convencional. Eles não são loucos por controle. Eles não são verdadeiramente Dominadores. Se eles fossem eles iriam aceitar as pressões e dificuldades envolvidas com o controle, já que eles iriam saborear esse controle tanto que estariam dispostos a lidar com quaisquer problemas que ele venha a trazer. Alguns auto proclamados Dominadores contudo não querem na realidade controlar a vida de outro. Eles não querem possuir uma escrava (ainda que eles frequentemente acreditem que eles querem uma, até que eles a encontram) e quando confrontados com a realidade da posse, eles fogem, abandonando suas responsabilidades. A forma mais comum de fugir ou de abdicar da responsabilidade do Dominador é culpar a submissa por todos os problemas do relacionamento, fingindo que ela é totalmente responsável. Essa é a situação mais comum que eu e John ouvimos de muitas submissas que nos escrevem pra pedir conselhos.

Por tudo isso, vê-se que não é uma forma teatral, não é uma encenação, é realidade para muitas pessoas. E para participar, deve estar consciente de que deseja.

Aprenda, pesquise, converse, discuta, pois tudo isso faz crescer e entender cada dia mais o que é ser Dom.

Atentamente.

♠ Lestat D´Ladonia



[1] Diz Notas de uma autora em seu blog CAMINHAR - http://lauravive.blogspot.com/

O que você busca?

O que você busca?

Muitas de nós descobrem-se submissas quando sentem que falta algo que complete suas vidas, mas não sabem identificar ao certo o que isso possa ser. Até que de uma maneira ou de outra, através de conversas, pesquisa ou mesmo por acaso chegam ao BDSM. Então tomam consciência de todo este mundo de Dominação e submissão e logo passam a buscar por um Dom que arrebate os sentidos e sentimentos, que tome conta do corpo e mente! Certo? Errado!!!

Descoberto o BDSM e partindo do pressuposto de que você seja submissa, o mais aconselhável a se fazer é buscar muita informação. Existem sites e comunidades fantásticas na internet que tratam do assunto com muita seriedade e abertamente. Pesquisar faz parte do conhecimento, ajuda a esclarecer dúvidas e a se inserir no meio.

Saiba diferenciar SM de D/s (e o que você quer) - isso também é primordial. Se você pesquisou bastante, chegou a muitas conclusões a respeito disto, mas vamos lá:

Sadomasoquismo (SM) pressupõe tão somente a entrega do corpo, a dominação física, por assim dizer, é a busca pela ampliação e evolução de seus limites físicos. Neste caso, você é tida como escrava, tão somente.

Na D/s, Dominação e submissão, a submissa entrega sua mente ao Dominador, que passa então a ter o controle e guiá-la, protegê-la e se responsabilizar por seu crescimento, atuando em todas as áreas da sua vida. (Sim, é entrega MESMO.) Submissão e Dominação vão muito além do sexo, inclusive este não é obrigatório. É uma relação muito intensa, e muito diferente do amor baunilha. Ela é caracterizada pela transparência, confiança, comunicação e honestidade.

Certamente, pode haver SM em uma relação D/s, onde o Dominador também é sádico e a submissa, masoquista. Existem, ainda, casos onde a sub não é masoquista, mas entrega-se a um Dominador sádico, pelo puro prazer Dele. Mas isto poderemos tratar em um outro texto, mais adiante.

Então chegamos ao próximo passo, que é exatamente travar contato com outras pessoas. Procure participar de listas de debate, esclarecer pontos obscuros que a leitura pode ter deixado, interagir, enfim. Pergunte, pergunte muito, e não se satisfaça com apenas uma resposta; com certeza você vai encontrar pessoas dispostas a ajudar e outras nem tanto. A esta altura, você já conseguirá definir o que deseja para si.

Mas antes de tomar qualquer atitude, tenha em mente uma coisa muito importante: questione-se. Procure em você a motivação para se inserir no meio. Tenha certeza do que busca. Conheça muito bem a si própria e saiba que auto estima, amor próprio e transparência são quesitos básicos para que sua relação seja saudável. Não tenha pressa. Saiba que submissão a um Dom não é instantânea, e que você será submissa a Ele, apenas. Buscar o Dom vem muito depois de tudo isto. (E certamente será tratado aqui em outra oportunidade.)

Mas divirta-se, afinal, BDSM é prazer!!

{rianah}·····LESTAT

(texto escrito especialmente para a coluna "O papel da submissa" do site www.sociedadekinkysade.com)

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Este resumo não está disponível. Clique aqui para ver a postagem.

sábado, 16 de agosto de 2008

da submissão


Vamos partir da definição técnica de submissão: é entregar o controle de mim mesma a outra pessoa. Mas é tão mais que isso, é emocional e psicológico muito antes de ser físico.

É me esforçar para agradar a meu Dono, mais que a mim mesma, não é apenas me submeter a coisas agradáveis, mas aceitar com graça as que não são tão agradáveis assim, só para que Ele se satisfaça.

É uma necessidade, muito mais do que querer, simplesmente. É parte de quem eu sou.

É a consciência total de quem está no poder, quem vai decidir, afinal. É ser capaz de confiar tanto em Alguém que questionar nem vem à cabeça.

É ser forte o suficiente para dar ao Outro o que se tem de melhor, o que se é, sem véus ou máscaras.

É estar segura o suficiente para escolher livremente trocar as minhas necessidades e vontades pelas do Outro, sem perder minha identidade, e o melhor, tirar prazer disto.

É saber que mesmo nos momentos mais confusos eu pertenço a Ele, que a voz Dele dizendo apenas “CALMA” já vai me confortar.

Esta submissão de que falo traz a mim a maior de todas as felicidades, mas pode também trazer a maior de todas as dores emocionais.

Um olhar de meu Dono diz mais que mil palavras… o pior olhar Dele é o de desaponto com algo que faço errado. É a morte, para mim.

E eu faço coisas erradas. Estou aprendendo, não nasci pronta. Dono, recentemente eu fiz uma coisa da qual me envergonho. Obrigada por me entender e por me guiar, me querer tão bem assim.

{rianah} de Lestat

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Manifesto BDSM


Abaixo transcrevo o Manifesto BDSM, que pode ser encontrado na comunidade de mesmo nome no orkut. Ele foi produzido após muito debatermos sobre os caminhos, tanto seguidos como os por seguir, no Meio que sempre defendemos enquanto participantes sociais. Aproveitem para participar, debater e ajudar a construir uma identidade para o BDSM no Brasil.

O objetivo deste texto não é ditar sistemas ou lógicas inalteráveis. Muito pelo contrário, ele é uma contribuição para o debate e tem a intenção de provocá-lo. Trata-se de uma proposta inicial e mínima de uma plataforma de posições a serem potencialmente defendidas pelo BDSM brasileiro.

Este texto trabalha com alguns conceitos que são descritos de maneira superficial, como referência, abaixo.



Subcultura: Na sociologia, antropologia e estudos culturais, uma subcultura é um grupo de pessoas com características distintas de comportamentos e credos que os diferenciam de uma cultura mais ampla da qual elas fazem parte. A subcultura pode se destacar devido à idade de seus integrantes, ou por sua etnia, classe e/ou gênero, e as qualidades que determinam uma subcultura como distinta podem ser de ordem estética, religiosa, ocupacional, política, sexual, ou por uma combinação destes fatores.



Troca de poder: No BDSM, o termo “troca de poder” está associado à entrega por parte da submissa de sua autoridade no que diz respeito à tomada de decisões (seja apenas em uma cena, ou por toda a vida) em troca da concordância do Dominador em ser responsável por sua felicidade e saúde.



Em um nível psicológico, muito das cenas BDSM envolve poder e dominação, particularmente a troca de poder, onde uma pessoa entrega voluntariamente sua autonomia pessoal. Isto pode se dar desde o ato de se chamar a outra pessoa de “Mestre” ou “Senhora” em uma cena com duração de dez minutos até um encoleiramento formal e com testemunhas, com contrato vitalício através do qual se administre a vida da submissa. Todas essas práticas são consensuais entre os que estão vivenciando a experiência.



Fetichismo: Fetichismo sexual é a atração sexual por (a) objetos materiais e terrestres, enquanto que na verdade a essência destes objetos é inanimada e assexuada. Partes do corpo também podem ser associadas a fetiches sexuais (também conhecido como parcialismo), onde a parte do corpo preferida pelo fetichista tem precedência sobre o dono do mesmo.



Identidade sexual: É o conjunto de características sexuais que diferenciam cada pessoa das demais e que se expressam pelas preferências sexuais, sentimentos ou atitudes em relação ao sexo, necessárias para a realização sexual e/ou afetiva do indivíduo.





Manifesto por um movimento BDSM

1-) BDSM como identidade sexual



Identidade é diferente de escolha. É relativamente simples entender que não escolhemos ter uma identidade sexual ligada à idéia da troca de poder afetiva ou erótica como alguém escolhe uma marca de detergente ou um canal de televisão. Apenas nos identificamos de maneira afetiva e sexual com relações que estejam fundadas em práticas relacionadas ao universo BDSM.



É impossível falar em uma identidade sexual única e coerente no tempo como regra absoluta para todos os seres humanos que componham um coletivo. Apesar de notarmos elementos plásticos em nossa sexualidade, grande parte dela varia de acordo com as novas experiências que vamos adquirindo ao longo da vida. A caminhada da descoberta sexual é riquíssima para qualquer um e uma das maiores experiências sensoriais que temos ao longo da vida. Nesse sentido há uma pequena “história da sexualidade” dentro das histórias pessoais de cada um de nós.

Mesmo assim, é possível falar em identidade sexual como parâmetro de identificação e agregação de indivíduos que comungam de preferências compatíveis. Tanto como não é certo que alguém que seja um homossexual continuará identificando-se assim por toda a vida, é certo, por outro lado, que reconheçamos que a identidade sexual homo erótica é válida enquanto categoria que define as fronteiras de um grupo social.



Da mesma forma, é possível e correto falar em identidade sexual vinculada à troca de poder e/ou ao fetichismo de qualquer natureza. E isto não engessa nossa sexualidade ou a limita de qualquer maneira: a identidade sexual não estabelece uma barreira comportamental que force alguém a só fazer e pensar sua sexualidade de maneira a reproduzi-la indefinidamente. Um sujeito pode identificar-se com as duas pontas opostas de uma relação de troca de poder e ser um switcher. Isso é tão natural quanto alguém que se identifica com homens e mulheres, sendo um bissexual. O componente homo erótico não abandona o bissexual em seus momentos de heterossexualidade. O componente das trocas de poder também não abandona alguém que se identifica com o movimento BDSM só porque ele também está aberto a outras vivências e outras identidades. A sexualidade é absolutamente subjetiva, como são os sentimentos e motivações humanas fundamentais. O que nos importa é o que reivindicamos livremente como nossa identidade sexual.









2-) BDSM como um movimento subcultural

É necessário reconhecer a necessidade de afirmar o BDSM como um movimento, com a mesma legitimidade dos movimentos sociais reivindicatórios de libertação sexual, como o movimento de mulheres ou o movimento GLBT. Muito embora haja um sem número de especificidades que o tornam único, o BDSM tem todas as características de agrupamento social, com demandas por espaços de vivência, discussão e reivindicação de uma nova abordagem em relação à minorias sexuais para as quais o preconceito ainda é opressivo.

O BDSM possui uma identidade única e é uma subcultura urbana, com linguagem, estética, condutas unificadoras e grupo de indivíduos que se reivindicam como praticantes de uma forma de amar e obter prazer absolutamente específica em relação à média da sociedade. Há grupos sociais e indivíduos que voluntariamente se identificam com a prática da troca de poder afetiva ou erótica e que devem ter respeitado seu legítimo direito à organização, anônima ou não, no curso dessa experiência. Mais que isso, o movimento BDSM carrega em si demandas de um segmento específico da sociedade para encaminhar, como a não criminalização de suas práticas e o combate ao preconceito e conservadorismo sexual.

Trata-se ainda do movimento que congrega dentro de si um conjunto importante de minorias sexuais discriminadas, que tem nesse espaço coletivo uma chance de encontrar vazão a seus anseios, dúvidas, além de apoio, espaço de convivência e ajuda profissional entre pares. Por isto, enquanto movimento, o BDSM deve aceitar sempre e de braços abertos os fetichistas de qualquer natureza, mesmo que não necessariamente suas identidades sexuais estejam especificamente ligadas à troca de poder entre seres humanos.





3-) BDSM e saúde



Muitas vezes os sentimentos e a atração pelo BDSM levam o indivíduo a se questionar com relação a sua saúde mental e até mesmo física. A criação, religião e educação são os fatores influentes, combinados com o conservadorismo sexual, a falta de informação sobre o assunto, legislação ultrapassada, preconceito, abordagem histérica da mídia e um enorme vazio na educação sexual geral.



Ter uma identidade sexual BDSM ou fetichista não é “errado” ou “doente”. No entanto, há uma série de avanços ainda necessários para que haja pleno respeito em relação a estes desejos ou condutas eróticas. Para os praticantes não há qualquer conflito direto com os aspectos gerais sociais e legais e o comportamento politicamente correto. Nós defendemos uma sociedade capaz de entender isso.



BDSM não é doença; está, antes de mais nada, associado ao erotismo e à expressão da sexualidade de cada um, o que normalmente se dá através da realização de fantasias e atendimento a necessidades e desejos sexuais saudáveis.

Defendemos um BDSM plenamente antenado com as questões de saúde psicológica e física da atualidade, compatível com uma vida normal e com nossa aceitação como indivíduos livres e saudáveis garantida.









4-) BDSM e o machismo



O movimento BDSM combate ideologicamente qualquer vinculação entre o que é subcultura BDSM e o que são criações ficcionais que reivindiquem o machismo ou a superioridade natural do sexo masculino além do espaço da vivência privada e da consensualidade. Estes elementos constituem-se em modalidades de opressão e não numa vivência BDSM antenada com ideais libertários e contrários a ideologias de promoção do ser humano e escolha voluntária de seu papel na relação BDSM.



Não legitimamos ou concordamos com o machismo ou com qualquer outra forma de opressão sobre qualquer minoria social. Pelo contrário, sendo nós mesmos uma minoria sexual altamente incompreendida e estigmatizada, estamos ao lado de todo e qualquer movimento libertário que tencione vivermos em uma sociedade onde não haja diferenciações ou limitações preconceituosas e conservadoras. Repudiamos o machismo, a violência doméstica e qualquer forma de preconceito.





5-) BDSM e a liturgia



As práticas unificadoras que conhecemos no meio BDSM como “liturgia” são um aspecto central da vivência de boa parte da comunidade. O movimento não nega estas experiências, nem seu valor. Contudo, é impossível e indesejável definir que elementos são ou não são litúrgicos, até pelo grande nível de subjetividade do tema. Por isto a melhor maneira para que se mantenham as tradições de grupos que as compartilhem dentro da cena BDSM são as organizações destes indivíduos em Casas.



Casas BDSM são instrumentos de organização interna da cena BDSM que compartilham maneiras de realizar as práticas, formas específicas de conduzir suas vivências e de transmitir seu conhecimento e postura.



Não há qualquer incompatibilidade entre a existência de liturgias e a livre entrada de pessoas no meio BDSM: é facultado a qualquer um defender suas posições ou conviver em sub-grupos que as reconheçam, mesmo que também seja assegurado o direito inequívoco de quem prefere vivenciar experiências de troca de poder baseado em outros critérios.

As Casas BDSM são espaços opcionais e reconhecidos, onde a liturgia é vivida pelos que assim querem. Mais que isso, elas são unidades reconhecidamente importantes da organização do BDSM e devem ter sua vivência e tradições respeitadas pelos demais membros da comunidade.





6-) BDSM e especificidades brasileiras



O movimento BDSM desenvolve-se de maneiras diferentes em cada país ou região. Acreditamos em uma fórmula específica para seu desenvolvimento no Brasil e, mais que isso, em cada região do Brasil, pelas dimensões continentais e a grande diversidade cultural de nosso país.



Em que pese nos recusarmos a importar fórmulas prontas, as experiências do movimento BDSM em outros países são uma referência importante para que, através de debate e experimentação, possamos encontrar um caminho próprio. Assim, pretendemos que haja autonomia e respeito em relação às múltiplas formas de ver ou organizar o BDSM regionalmente.





7- BDSM e lógicas de marginalização ou guetização



Não acreditamos em um BDSM formulado como uma seita ou um gueto. Repudiamos todas as iniciativas no sentido da carnavalização ou espetaculização de nossas práticas. Como cidadãos e cidadãs livres e saudáveis, nós temos direito ao respeito.



A abordagem circense de nosso estilo de vida constitui-se em um reforço ao preconceito e a lógica de que o BDSM e seus praticantes são um gueto marginal ou doentio da sociedade. Isto simplesmente não é verdade, além de ser uma brutal agressão conservadora ao livre direito de escolher nossas próprias vivências sem sermos moralmente atacados ou tratados como grupo social portador de qualquer patologia.



Por isso o movimento deve ser aberto, arejado e freqüentado livremente por qualquer pessoa que se interesse em conhecer mais sobre o assunto. Além disso é desejável que, conforme as possibilidades e livre desejo pessoal, as pessoas assumam publicamente sua identidade sexual. Mesmos que respeitemos o tempo, os limites pessoais e as conveniências de cada praticante BDSM, é muito importante que cada vez mais pessoas confrontem o conservadorismo e saiam do anonimato. Este é um processo longo, difícil, mas muito necessário para que haja real avanço na luta por respeito em relação ao segmento.





8- Movimento BDSM e lógicas de tomada de decisão

O movimento BDSM deve ser um espaço amplo e democrático de debate e tomada de decisões. Para tanto, seu princípio é estabelecer igualdade e ampla liberdade de expressão a seus membros. Não deve haver limitações a qualquer participante, bem como lógicas hierárquicas ou ganho de vantagem pessoal de qualquer natureza a qualquer pessoa que deseje contribuir.



As decisões devem ser fruto do debate e da construção de consensos, baseado numa organização política calcada na horizontalidade e na democracia. Além disso, o movimento não é uma organização única, reconhecendo a legitimidade de qualquer outra organização que pretenda atuar organizando o movimento e lutando por ideais similares. Não pretendemos hegemonizar, controlar ou limitar qualquer outra iniciativa que almeje organizar a minoria sexual a qual fazemos parte. Pelo contrário, essas iniciativas são positivas e contam com nosso reconhecimento e respeito.



Não incentivamos disputas e/ou tencionamos desconstruir qualquer esforço anterior ou futuro de qualquer grupo no sentido de organizar a comunidade.





9- BDSM e riscos envolvidos



Levando-se em conta de que nada é perfeitamente seguro, nem mesmo algumas práticas BDSM, defendemos a consciência dos riscos envolvidos ao invés de apregoar que tudo o que todas as pessoas fazem é absolutamente sem risco. Assim, podemos identificar e minimizar o risco através do estudo, treino, técnica e prática, por ambas as partes envolvidas na negociação. Isto não significa discordar da visão média do segmento BDSM, que apregoa práticas Sãs, Seguras e Consensuais. Pelo contrário, trata-se de, além disso, admitir e enfatizar uma preparação prévia para práticas que eventualmente constituam risco combinado entre as partes envolvidas.



Acreditamos que julgar algo “são” é muito subjetivo. Não há possibilidade de adotar um padrão universal. O que é são para uma pessoa pode não ser para outra e estaríamos no terreno da subjetividade. Objetivamente é importante enfatizar que, quaisquer que sejam as práticas adotadas, elas devem ter uma reflexão e uma clara consciência de eventuais riscos, além de uma preparação para lidar e minimizar cada um deles.

"Consensual” é a base da negociação e das relações que travamos. É a capacidade dos pares de lidar responsavelmente com os fatores de risco, de maneira dialogada. É saber diferenciar, portanto, a realidade da fantasia, e mostrar, assim, no que se está consentindo. Enfatizamos que qualquer prática irresponsável ou agressora é um desvio em relação a uma conduta BDSM saudável.





10- Por um movimento BDSM vivo, pulsante e dinâmico!



As atividades, encontros, workshops, festas e todos os eventos são muito bons para a comunidade e devem ser reforçados. Mesmo assim é importante que sejam sempre espaços abertos, sem dogmatismo, capazes de dialogar com o resto da sociedade. Nos é muito importante tirar o BDSM do gueto no Brasil e são as atividades que dão a dinâmica desse esforço e do próprio movimento.



Desejamos também que haja maior debate sobre a natureza e especificidades de nosso movimento. Deve haver a tentativa de construção de um espaço democrático para se pensar o próprio movimento e seus desafios, em níveis regionais e nacional.

A exemplo do que acontece em alguns países do mundo, devemos discutir a idéia de construir manifestações públicas específicas da comunidade dentro das paradas GLBT, que são espaços de grande abertura para a discussão das minorias sexuais no Brasil, além de momentos em que a pauta da imprensa e do país abre-se para a discussão da diversidade sexual.



Este texto é de autoria de Dominus Pater e co-autoria, com enormes contribuições dadas por {rianah}.


Nossas atividades também precisam reforçar uma unidade e uma identidade de grupo, para além de discutir as próprias práticas. Encarar o BDSM como um movimento subcultural é também construir seu discurso, seus símbolos, sua dinâmica e sua unidade interna. As atividades possuem um papel fundamental nisso.

Este texto é de autoria de Dominus Pater e co-autoria, com enormes contribuições dadas por {rianah}.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

sub 101 - Subspace

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banksy

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