terça-feira, 12 de maio de 2009

BDSM na Maior Idade!

Documento cedido gentilmente por bondarina e com relevante conteúdo.


Defendo desde sempre que devia haver uma idade mínima para praticar SM dentro do BDSM, talvez na casa dos 30 anos, não apenas porque SM pode implicar riscos e responsabilidade mas também porque a minha vivência de mais de quarenta anos me diz que, regra geral, é necessária alguma consciência de complementariedade e não de causa. No entanto, cada caso é um caso - falo em geral, sempre, e limito-me a opinar!

Há uns anos, um Dominador Inglês contou-me um caso que me deu que pensar - uma antiga escrava dele foi cedida por ele a outro Senhor, com quem esteve anos; quando mais velha (perto dos 50) e doente, o então Dono correu com ela e a escrava viu-se de repente sem emprego, sem enquadramento na actual vida publica inglesa, desfasada da realidade. De referir que a tomada de uma escrava em países em que o BDSM é praticado "à letra" implica destituição total de direitos e total responsabilidade do Dono (saúde, habitação, descontos sociais, enquadramento social, etc), contrariamente a outros países em que os "brandos costumes" imperam numa vertente mais erótico/sensual/D/S e de role/play - logo, menos realista, digamos, ou menos S/M - vidé Portugal.

Assim, a dita escrava viu-se de repente na meia idade, doente, sem familia e sem apoio e apelou ao primeiro Dono que se sentiu indignado com a atitude do "amigo" e o procurou, mas nao conseguiu o pretendido. Chamou então a si a tarefa de ajudar a ex-sua-escrava, anos depois - alugou um pequeno apartamento, arranjou-lhe "escritas" para fazer em casa", levou-a a especialistas médicos e, mais importante para ela que se sentia sem utilidade no que lhe era inato - procurou no seu meio BDSM, quem procurasse uma escrava com experiencia, hard, para vivencias BDSM - e conseguiu, numa base não contínua, mas sempre com a sua supervisão. Aos poucos, restituiu a fé à dita escrava e deu-lhe novamente um "lar" e pelo que sei, tudo se estabilizou.

Evidentemente que este é um caso extremo.

Obviamente que nem todos os Dominadores serão calculistas e insensiveis.

Mas, se reflectirmos em situações de BDSM para sempre - casamentos de Dono/escrava - p.e.,teremos de pensar também, no caso das práticas SM em que a saúde e boa condição física são imperiosas, como lidar com essa vertente.

Qualquer relação se delapida com o Tempo, tendo de se adaptar ou acabando por se esfumar - mas numa dicotomia BDSM em que a componente física dá sentido aos elos e aos laços, não será uma espada de David sobre a cabeça de ambos?

Fui surpreendida no meio BDSM português quando um Dominador me disse "quero uma escrava para sempre, que, quando eu não tiver forças para pegar no chicote, esteja lá para me servir e termos uma relação mental e psicológica igualmente forte!" Foi a segunda vez que despertei para a questão dos limites fisicos/idade no BDSM e, ao viver uma situação de debilidade de saúde numa segunda idade (como acho correcto chamar-lhe), acho cada vez mais ser uma das questões poucas vezes ventiladas e que mais deveriam ser consideradas antes de um Dominador/Domme aceitar um escravo "sinne dia"...

Dir-me-ão que é exactamente igual a uma união baunilha - mas discordo, pois normalmente a parte Dominada abdica de direitos e regalias, corta laços e raízes, chegando inclusivé a mudar de País e vendo-se de repente em situação desesperada.

E quando um dos dois envelhecer? E se um dos dois fica doente? E se a relação depende exclusivamente dos dois e não há apoio de terceiros em caso de injustiça da parte Dominante?

Quid Juris?


Publicada por MISS LIBIDO em Sábado, Maio 09, 2009

http://www.misslibidonopaisdasmaravilhas.blogspot.com/?zx=c3ec202f77e5f3b8

Um comentário:

  1. gostaria de comentar duas coisas, apenas, uma vez que tenho certeza que LESTAT postou o texto para reflexão de T/todos...
    1) obviamente, cada caso é diferente, mas idade para mim não significa muita coisa. eu colocaria mais ênfase em MATURIDADE, posto que um jovem de 25 anos pode estar anos luz à frente de alguém imaturo de 50. (no meu caso, iniciei no BDSM antes dos 25 e não me julgo - ou nunca fui julgada - imatura para tanto)

    2) a questão de ser abandonada doente ou idosa vai depender de algumas coisas fundamentais na base da relação - que são cumplicidade. senso de responsabilidade, confiança, lealdade. e isto realmente não importa com relação à idade, mais uma vez, coloco a palavra maturidade como síntese para tudo.

    beijos, DONO QUERIDO

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banksy

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